Remota Ilusão

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Éramos como duas crianças com seu primeiro amor. Nós corríamos pelos corredores da casa da minha mãe, rindo das caretas que você fazia, dos tombos que levávamos… Éramos tão felizes.

Até que um dia você me disse que havia recebido uma promoção da empresa iria passar um ano na Inglaterra, com o dinheiro que iria ganhar tudo seria mais fácil, poderíamos nos casar sem imprevistos. Seus argumentos foram irrefutáveis, me fez dizer que sim, tudo iria parecer mais belo.

Foi então que assistimos nosso ultimo jogo de futebol juntos, e eu deixei que entrasse no avião. Como despedida cócegas e um beijo.

Era apenas um ano, conversaríamos todos os dias, claro que com horários bagunçados, mas o que poderia acontecer em um ano? Tudo!

Nossas conversas cada vez mais frias, distantes, mas eu crédula, já havia escolhido o vestido, o lugar para a festa, padrinhos e madrinhas…, mesmo que não conversássemos muito sobre isso, só faltava-me o noivo regressar. Eu ansiosa tentava ocupar o tempo desenhando ou pintando, às vezes me pegava olhando suas fotos no dia em que fomos ao zoológico… Realmente te amava.

Então você voltou, e nos encontramos no aeroporto, não podia mais suportar ficar longe de você, seu perfume, suas caretas. Você me abraçou, não como se me reencontrasse, mas como se estivesse se despedindo, e de cabeça baixa me disse:

-Posso te fazer uma pergunta?

Eu, tão ingênua, quase chorando apenas acenei com a cabeça. Seria o pedido?

– Minha querida, volta comigo para a Inglaterra? Quero que conheça minha noiva, e seja nossa madrinha.

Eu apenas virei às costas e caminhei, depois disso nunca mais o vi.

Maçãs

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Já aconteceu de achar que precisa muito de ajuda, mas foi você quem ajudou alguém? Pois é, foi isso que aconteceu com a minha amiga Ana, há alguns meses.

Ana foi ao supermercado em um sábado de manha, íamos nos reunir na minha casa para fazer o de sempre: tomar chá, conversar sobre poesia, sobre a vida. Ana estava muito triste, pois tinha terminado o namoro e ter lido “Mulherzinhas” de Louisa May Acott não ajudara em nada.

Ao entrar no supermercado, tudo parecia igual escolheu frutas e verduras, mas havia um rapaz que chamou a atenção. Ele ainda não conseguiu escolher as maçãs, deve ser muito exigente. Continuou a vagar pelos corredores.

Ana havia esquecido os morangos e voltou para pegar. Ainda estava lá. Pobre rapaz.

-Com licença, reparei que já faz quase uma hora que você esta ai. Precisa de ajuda?

-Na verdade sim. –sorriu timidamente- Nunca Fiz compras, sempre foi a minha mãe lá em casa. Nunca me interessei em aprender. Agora que mudei de cidade a trabalho não tenho mais minha mãe para fazer compras.

-Me parece algo grave. Te Ajudo  nesta luta contra as maçãs. – pegando uma maçã e fazendo careta.

– E eu agradeço. Qual o teu nome?

-Ana, e a sua graça?

-Manoel.

Novamente Ana vagou, mas desta vez acompanhada. Conversaram, conversaram sobre tudo, tudo era parecido e o celular de Ana tocou.

-Bittersweet Symphony?

-Se for importante liga de novo. É sim, fico feliz de saber que ainda existem pessoas que conhecem boas músicas.

-Realmente, mas ela é tão triste.

-Pois é eu tomei algumas decisões erradas nestes últimos meses.

-Me passa seu numero? Quero que toque de forma alegre!

Naquele dia Ana chegou a minha casa não com livros ou saquinhos de chá, mas com Manoel.

 

Raquel de Queiroz…

Eu Amo essa escritora, acho que ela foi grande parte da literatura brasileira, e importante para nós Mulheres. Espero que gostem….

Fui tomar satisfação a meu pai sobre esses assuntos do céu: “O povo diz que o céu é la em cima e o inferno é lá embaixo. Mas se a Terra é redonda e tem céu em toda a volta, onde fica o inferno?”. Meu pai, meio agnóstico, meio crente, me deu uma palmadinha carinhosa e se saiu: “O inferno é aqui mesmo. Vá brincar!”

Eu só Pessimismo

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Por que em meio a tantas pessoas

Eu só não consigo ver a companhia?

Por que em meio a tantas cores

Eu só consigo ver o preto em destaque?

Por que em meio a tanta aparente felicidade

Eu só consigo ver a aparente depressão?

Por que em meio a tantas formas

Eu só consigo ver as retas?

Por que em meio a tantas opões

Eu só consigo ver um caminho?

Por que em meio a tanto amor

Eu só consigo ver o ódio?

Por que em meio a tudo o que é bom

Eu só consigo ver o que é ruim?

Por que em meio a tanto carinho

Eu só consigo ver a arrogância?

Por que em meio a tanta vida

Eu só consigo ver…? 

On-Line/ On-Phone

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Agora são oito da manhã, hoje é sábado, deveríamos sair para tomar café, mas você não acordou hoje do meu lado. Seu chefe te mandou para outro estado, e você avisou que hoje era nosso aniversario de casamento, mas ele nem ligou, parece que é incapaz de ter sentimentos.

Pelo menos você me disse que iríamos comemorar na próxima semana quando você, meu amor, voltar de viagem.

Hoje não terá muito que fazer,eu acho que vou ficar o dia todo vendo filmes. Só um minuto amor, o telefone está tocando.

-Alô!

-Bom dia, razão da minha existência!

-Fofo e brega…

-Faz um favor pra mim?

-Tudo bem!

-Caminhe até a porta da frente, destranque-a é claro, e me diga o que vê.

-Tudo bem… Vejamos, aqui tem uma caixinha de presente e… Dois ingressos para a ópera hoje a noite.

-Gostou?

– Se você estivesse aqui seria muito melhor, a ideia é boa, foi lá que nos conhecemos, eu estava trabalhando, ia publicar uma critica no dia seguinte, e você me atrapalhou. Foi um dos melhores dias da minha vida. Se você não for não terá graça, afinal quem mais eu levaria?

-Ah! Talvez a pessoa que esta atrás de você.

-o que…? Isso ai atrás de você são rosas?

-Amor, desliga o telefone, e Vamos tomar café, afinal só volto a trabalhar na segunda.

Aconteceu na velha biblioteca…

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Era sexta feira, já eram quase cinco horas da tarde, então como de costume passei na biblioteca e fui devolver o livro, e pegar outro para o fim de semana.

O passeio da sexta a tarde na biblioteca sempre fora um dos mais agradáveis, mas desta vez caminha e recaminhar pelos mesmos corredores de tantos anos mudaria a minha vida para sempre.

Parei entre os livros de matemática e fiquei um bom tempo por lá, eu nunca havia lido um livro de matemática, livro de teorias e conceitos não chamavam a minha atenção. Afinal sempre gostei mesmo das histórias, mas fiquei por lá e pensei que mudar é bom.

Foi então que um rapaz chegou perto de mim, e disse:

-Moça, pode me ajudar? É que é a primeira vez que entro em uma biblioteca.

Como poderia aquilo ser verdade? Como alguém já passado dos vinte anos nunca teria entrado em uma biblioteca?

-Moço, até ajudo, mas só se responder como pode nunca ter entrado em uma biblioteca antes?

– É que sempre foi tudo pela internet, ao invés de pegar livros ou comprar ou os baixava. Hoje tenho folhas impressas encadernadas. Só que desta vez eu não achei o livro, e preciso para o trabalho da faculdade, mas nem sei por onde começar.

Sorri com pena porque ele não sabia a mágica existente em livros, e disse:

-Tudo bem! De qual livro precisa?

-Algum sobre Pitágoras e o que ele estudou.

-Estamos no corredor certo. E o seu livro está aqui, bem na sua frente!

Um sorriso sutil apareceu então em seu rosto e me respondeu:

-Você é boa nisso. Qual seu nome?

Sorrindo eu respondi:

-Rebeca. E o seu? Só para não sairmos do padrão.

Respondeu com uma bela gargalhada que se chamava Renan. Eu nunca havia reparado nesse nome, até aquele dia.

-Então Renan, o que você estuda?

-Ultimo ano de engenharia aeronáutica! Respondeu com um sorriso de orgulho no rosto, e me perguntou: “agora você Rebeca, me responda uma coisa, você vem sempre aqui”?

-Sim, desde meus quatro anos. Toda semana pego um livro passeio pelo silencio dos corredores, eu adoro isso, até o cheiro é bom. Minha mãe me trouxe aqui pela primeira vez, e disse que coisas boas aconteceriam aqui.

– Como me conhecer?

-Talvez! E nós rimos desesperadamente, e nem era para tanto. Só paramos ao ouvir aquela frase tão famosa do funcionário:

-Silêncio.

E então o silencio realmente teve significado, nos olhamos, nos beijamos, e finalmente entendi o que minha mãe tinha dito. Aquele rapaz perdido, homem das exatas era uma das coisas boas que aconteceria naquela biblioteca. Faltava apenas cinco minutos para fechar a biblioteca, então ele segurou minha mão e disse:

-Vamos sair? Ai você me conta mais sobre a biblioteca e os livros que já leu?

Eu apenas balancei a cabeça, estava confusa, mas de um modo bom! Parecia que havia tanto a conversar, como se tivéssemos que contar a vida um ao outro.

Naquele dia não levei nenhum livro, iríamos ler junto um livro de matemática, e pela primeira vez eu estava realmente interessada no conteúdo de um livro de conceitos.

Daquele dia em diante leria meus livros acompanhada, para sempre. Pois é, eu entrei na biblioteca, este dia foi o ponto final de um livro. Então eu saí da biblioteca com as primeiras palavras de um novo livro. Havia encontrado algo no meio dos livros que eu nunca buscara, mas que valeu a pena ter encontrado.

Ser mulher, sou mulher.

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Eu sou mulher, amo ser mulher.

Não sou fraca,

Eu sou poderosa!

Vivo por mim, não pelos outros,

Tenho orgulho de saber que sem mim,

Sem a mulher, o mundo não gira!

Posso ficar brava com todos,

E todos culparão meus hormônios.

Posso chorar,

Posso amar,

E todos dirão que é culpa da sensibilidade.

Posso amar e ser amada,

Afinal fui feita para isso.

Posso fazer sofrer,

Mas Não podem me fazer sofrer, isso é covardia.

Dizem que somos frágeis,

Somos como flores…

Eu digo que sou como a rosa,

Sou bela, mas tenho espinhos.

Eu sei me cuidar,

Sei me proteger. Sabemos nos proteger.

Sei que amo usar meu salto,

E não é só porque fica bonito.

É porque é assim que eu sou,

Eu sou poderosa,

Eu sou forte,

Eu sou sensível,

Eu sou mulher.

Racismo, algo a combater.

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A historia da economia brasileira, assim como a de muitos outros países da America, começou de maneira errônea. Não começou com trabalho árduo de todos, começou com a discriminação de pessoas que viviam na África. Até mesmo a Igreja Católica pregava que homens e mulheres negros não tinham alma, eram apenas mercadorias.

Hoje, mais de cem anos passados, negros ainda sofrem preconceito no trabalho, na escola e nas ruas. Dizer que uma pessoa é negra parece dizer que elas são inferiores, mas a ciência comprova que não há diferença alguma entre negros e brancos.

O racismo e o preconceito é algo alimentado por estúpidos, cada pessoa seja qual for sua origem deve ser tratada com os mesmos direito. Ninguém tem o poder de diminuir ou depreciar alguém, o preconceito no Brasil e no mundo é algo grave e não deve ser, de forma alguma, ignorado.

Cabe a nós de forma individual e coletiva enfrentar essa situação, educar filhos e conscientizar os preconceituosos de que não importa a origem ou formação, ninguém é superior e, sim, igual e, quanto ao governo, não deve parar com medidas para mudar isso, como as cotas nas faculdades. Não se pode ignorar esse problema.

O amor de ontem não é o amor de hoje.

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Um dos maiores desejos é encontrar o amor, e isso não é de hoje, se formos pesquisar é bem fácil perceber que o amor é o tema mais abordado nas obras, nas artes. Eu sempre acreditei no amor, e sempre venerei os grandes escritores que quiseram mostrar o quão forte é esse sentimento.

Infelizmente o amor está distorcido. Eu acredito que seja porque a facilidade em tudo ficou muito evidente, o amor tornou-se um conceito distorcido e frívolo, os desejos egoístas e o prazer momentâneo reinam o mundo.

Eu costumo dizer que o mundo antigamente era muito mais bonito. Isso porque antigamente os homens cortejavam e, hoje se “fica”, “cata”, “pega”… Casais sofriam, lutavam arduamente para poderem ficar juntos, realmente se sentia o amor.

Hoje, quem realmente sente o amor dos poetas? Quem será que seria capaz de ser fiel, mesmo sofrendo e morrendo por amor? Acho eu que poucos seriam capazes de repetir o que os românticos escreveram.

Será que você seria capaz de dizer para quem diz amar essas palavras?

 “Amemos! Quero de amor Viver no teu coração! Sofrer e amar essa dor Que desmaia de paixão!”

O amor mudou. Ontem se ardia de amor e hoje o amor arde. Eu tenho certeza que seria capaz de sofrer por amor. E você sofrerá por amor ou viverá de brincadeiras e joguinhos?

Paixão de Verão

Só pra rir um pouquinho… uma tragédia!

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Férias de verão!

Grandes expectativas,

Grande ansiedade no coração,

E grandes perspectivas.

 

Sentada na areia

Observo o mar

De longe avistei, teci a teia,

E ele logo começou a falar.

 

Será desta vez?

Quantas conversas agradáveis

Intermináveis olhares nos olhos.

 

Será desta vez?

Falou-me muito feliz:

-Queria muito que fossemos amigos!