Aconteceu na velha biblioteca…

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Era sexta feira, já eram quase cinco horas da tarde, então como de costume passei na biblioteca e fui devolver o livro, e pegar outro para o fim de semana.

O passeio da sexta a tarde na biblioteca sempre fora um dos mais agradáveis, mas desta vez caminha e recaminhar pelos mesmos corredores de tantos anos mudaria a minha vida para sempre.

Parei entre os livros de matemática e fiquei um bom tempo por lá, eu nunca havia lido um livro de matemática, livro de teorias e conceitos não chamavam a minha atenção. Afinal sempre gostei mesmo das histórias, mas fiquei por lá e pensei que mudar é bom.

Foi então que um rapaz chegou perto de mim, e disse:

-Moça, pode me ajudar? É que é a primeira vez que entro em uma biblioteca.

Como poderia aquilo ser verdade? Como alguém já passado dos vinte anos nunca teria entrado em uma biblioteca?

-Moço, até ajudo, mas só se responder como pode nunca ter entrado em uma biblioteca antes?

– É que sempre foi tudo pela internet, ao invés de pegar livros ou comprar ou os baixava. Hoje tenho folhas impressas encadernadas. Só que desta vez eu não achei o livro, e preciso para o trabalho da faculdade, mas nem sei por onde começar.

Sorri com pena porque ele não sabia a mágica existente em livros, e disse:

-Tudo bem! De qual livro precisa?

-Algum sobre Pitágoras e o que ele estudou.

-Estamos no corredor certo. E o seu livro está aqui, bem na sua frente!

Um sorriso sutil apareceu então em seu rosto e me respondeu:

-Você é boa nisso. Qual seu nome?

Sorrindo eu respondi:

-Rebeca. E o seu? Só para não sairmos do padrão.

Respondeu com uma bela gargalhada que se chamava Renan. Eu nunca havia reparado nesse nome, até aquele dia.

-Então Renan, o que você estuda?

-Ultimo ano de engenharia aeronáutica! Respondeu com um sorriso de orgulho no rosto, e me perguntou: “agora você Rebeca, me responda uma coisa, você vem sempre aqui”?

-Sim, desde meus quatro anos. Toda semana pego um livro passeio pelo silencio dos corredores, eu adoro isso, até o cheiro é bom. Minha mãe me trouxe aqui pela primeira vez, e disse que coisas boas aconteceriam aqui.

– Como me conhecer?

-Talvez! E nós rimos desesperadamente, e nem era para tanto. Só paramos ao ouvir aquela frase tão famosa do funcionário:

-Silêncio.

E então o silencio realmente teve significado, nos olhamos, nos beijamos, e finalmente entendi o que minha mãe tinha dito. Aquele rapaz perdido, homem das exatas era uma das coisas boas que aconteceria naquela biblioteca. Faltava apenas cinco minutos para fechar a biblioteca, então ele segurou minha mão e disse:

-Vamos sair? Ai você me conta mais sobre a biblioteca e os livros que já leu?

Eu apenas balancei a cabeça, estava confusa, mas de um modo bom! Parecia que havia tanto a conversar, como se tivéssemos que contar a vida um ao outro.

Naquele dia não levei nenhum livro, iríamos ler junto um livro de matemática, e pela primeira vez eu estava realmente interessada no conteúdo de um livro de conceitos.

Daquele dia em diante leria meus livros acompanhada, para sempre. Pois é, eu entrei na biblioteca, este dia foi o ponto final de um livro. Então eu saí da biblioteca com as primeiras palavras de um novo livro. Havia encontrado algo no meio dos livros que eu nunca buscara, mas que valeu a pena ter encontrado.

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