Paixão

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Mônica desde pequena foi uma menina muito quieta, nunca se destacava em nada. Quando começou a ir para a escola a única coisa que ela realmente desejava era aprender a ler, para trocar os papeis e ler para a sua mãe. Os livros pareciam tão atraentes, que parecia aconchegá-la.

Quando em fim aprendeu a ler já começara com os irmãos Grimm, depois ela começou a ler Charles Perrault, e depois disso não parou mais. Em todo lugar que fosse um livro a acompanhava, aqueles eram seus amigos mudos, mas que diziam tudo.

Ela sempre imaginava o que seus grandes e favoritos escritores fariam. Na escola outras matérias eram de mínima importância, valia apena estudar literatura.

Ela não se encaixava em lugar algum, a não ser no seu quarto ou nos mundos das historias de seus livros. Sua imaginação só aumentava a cada dia, às vezes tinha a impressão de que Romeu, Jane ou qualquer outro personagem estava ali ao seu lado narrando como acontecera tudo.

Agora que cresceu, tornou-se adulta, ela não perdeu a paixão, pelo contrario só aumentou, hoje trabalha no jornal, seus artigos, contos e crônicas são conhecidos por exalar amor, o amor que Mônica realmente sente pelas letras. 

 

Um direito de amor.

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Ninguém diz que será fácil.

Ninguém disse que haverá um terreno hostil.

Todos só pensam em juras de amor.

Todos esquecem que amar também é direito de um sofredor.

Eu sei que o amor é lindo,

Mas sempre me lembro de que nem sempre me receberá sorrindo.

 Talvez valha apena.

Afinal a chance não é pequena.

Não sei se contos de fadas existem,

Mas sempre existem amores que resistem.

Sei bem que não sou suporte de perfeição,

Mas você doou seu coração.

Sei que você fará coisas que eu odeio,

Mas eu não tenho nenhum receio.

Eu espero que seja eterno,

E juntos o tornaremos imortalizado.

Tato

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Ela era fotografa e, a luz naquele fim de tarde estava propicia para tirar fotos da cidade e seu prédio era mais propicio ainda então subiu, lá na ponta uma moça, uma das suas vizinhas, uma sem esperanças e, disposta a se jogar. Para não assustar a pobre chegou nem tão lentamente e nem tão desesperadamente e falou nem tão alto e nem tão baixo:

-Meu anjo, o que está fazendo ai?

-Não vai me impedir, ninguém vai. Eu não tenho chance não tenho vida!

-Eu não quero lhe impedir não, queria conversar um pouquinho, só lhe atrasarei uns minutinhos, afinal moramos no mesmo prédio há um bom tempo e nunca nos falamos não é verdade?

-É que eu não gosto muito de conversar, sempre fui tímida.

-Pois bem, senta ai na beira um pouquinho. – as duas sentaram-se- Primeiro me diz porque quer se jogar daqui?

-Você está ouvindo?

-Ouvindo o que? Se a cidade esta vazia, não há barulho algum.

-Está ai, meu mundo vive neste silencio há anos. Sofro sozinha e com as pessoas, parece que luto em vão! Minha família já não mora mais perto de mim, minha vida anda tão vazia que às vezes parece que sou invisível e se não sou já vou me desfazer.

-“Eu deixo a vida como deixa o tédio Do deserto, o poento caminheiro, – Como as horas de um longo pesadelo Que se desfaz ao dobre de um sineiro; Como o desterro de minh’alma errante, Onde fogo insensato a consumia: Só levo uma saudade – é desses tempos Que amorosa ilusão embelecia”. Ah, mocinha responde uma coisa?

-O que é?

-Nasceu aqui?

-Sim, nasci aqui. Morei aqui, mas nem sempre estive aqui. Conheci muitas cidades, uma mais que as outras, viajei demais com meu pai, era sempre muito bom tê-lo por perto, lembro-me que uma vez estávamos para sair de viagem e ele derrubou o RG no esgoto, foi muito engraçado e naquele ano não viajamos, mas foram boas férias!

Estava determinada a não deixar aquele mocinha fazer aquele bobagem, mas argumentos diretos não ajudariam em nada. Ao ver o seu sorriso, mesmo que quase instantâneo, teve uma ideia, talvez relembrar o passado de forma sutil mostrasse que ela ainda tinha vida.

-Olha só, daqui posso ver o shopping – é um lugar que se espera que todos que moram ali já deveriam ter visitado.

-Foi ali onde arranjei meu primeiro emprego. Consegui muita coisa trabalhando ali.

-E dá pra ver todas as escolas da cidade, vai ser uma grande foto!

-Foi naquela – apontando o dedo – em que me formei, na outra ali eu aprendi a ler.

-E veja só o parque e as pracinhas, tão lindos vistos de cima não acha? Essa cidade é privilegiada.

-Pois é meu pai junto com meu avó me ensinou a andar de bicicleta naquela pracinha, e na outra ali tive meu primeiro encontro, no parque uma vez fizemos um piquenique e foi quando cai de bicicleta pela primeira vez.

-E a praia, exuberante não é? Sempre vou lá para pensar!

-Minha mãe diz que foi ali que dei meus primeiros passos.

-Pois é, e olha só o hospital. Parece tão pequeno daqui de cima não?

-Foi ali que nasci. Há 22 anos. Como vivi pouco não acha?

-Mocinha, agora vou carregar minha câmera, ela está sem bateria. Perdi a chance de tirar boas fotos hoje, tiro amanhã se tiver a mesma luz. E já atrasei demais seus planos não acha?

Levantou-se, virou as costas e caminhando disse adeus, mas ouviu uma voz tremula.

-Espere, vou com você, acho que posso adiar a morte. Não é porque chamaram minha atenção no trabalho que eu devo desistir da vida. Tenho muito que fazer ainda, não acha?

 

Grão de areia

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Sabe a vida ensina muitas coisas pra nós, algumas delas eu aprendi indo à praia, aprendi que ela serve para tomar banho e depois ficar com coceira e cheia de areia, a outra foi que na praia às vezes se conhecem pessoas que contribuem pra a nossa vida.

Um dia desses eu fui pra praia, e bem acho que sou a única pessoa no mundo que vai a praia com bermuda social e preta, mas em fim isso não é de importância alguma. Eu estava sentada naqueles banquinhos da beira da praia, tinha acabado de ler e estava tentando ouvir o mar, quem sabe ele estava querendo conversar não é?

Então se aproximou um rapazinho, não devia ter mais do que 15 anos, me ofereceu um chiclete e começou a conversar comigo. Morou a vida inteira ali, nunca saiu dali… Dento de umas duas horas contou toda a sua vida, era tão simples, mas parecia tão feliz. Nós temos tantas coisas e parece que nada serve parece que sempre tem um lugar na casa para por mais e sempre mais.

Eu ia embora naquele mesmo dia, no meio do caminho eu havia colocado a mão no bolso, e ali estava o pacotinho de chiclete, ainda havia dois. Sorri, foi tão espontâneo.

Aprendi mais duas coisas naquele dia, a primeira era que não é preciso grandes coisas pra se sorrir, e a segunda é que o mar ensina muito, o mar é como a vida. Nas ondas vem coisa pedaços de algas ou somente grãos de areia, na vida coisas também vem, podem ser grandes e visíveis, ou pequenas e aparentemente insignificantes como um grão de areia. Agarre os grãos de areias, são os que realmente nos fazem sorrir. E por falar nisso ainda tenho os chicletes.

Lágrimas da Vida

Hoje eu queria compartilhar um poema de um dos meus escritores preferidos:

Se tu souberas que lembrança amarga
Que pensamento desflorou meus dias,
Oh! tu não creras meu sorrir leviano,
Nem minhas insensatas alegrias!
 

Quando junto de ti eu sinto, às vezes,
Em doce enleio desvairar-me o siso,
Nos meus olhos incertos sinto lágrimas…
Mas da lágrima em troco eu temo um riso!
 

O meu peito era um templo – ergui nas aras
Tua imagem que a sombra perfumava…
Mas ah! emurcheceste as minhas flores!
Apagaste a ilusão que o aviventava!
 

E por te amar, por teu desdém, perdi-me…
Tresnoitei-me nas orgias macilento,
Brindei blasfemo ao vício e da minh’alma
Tentei me suicidar no esquecimento!
 

Como um corcel abate-se na sombra, 
A minha crença agoniza e desespera…
O peito e lira se estalaram juntos…
E morro sem ter tido primavera!
 

Como o perfume de uma flor aberta
Da manhã entre as nuvens se mistura,
A minh’alma podia em teus amores 
Como um anjo de Deus sonhar ventura!
 

Não peço o teu amor… eu quero apenas
A flor que beijas para a ter no seio…
E teus cabelos respirar medroso…
E a teus joelhos suspirar d’enleio!
 

E quando eu durmo… e o coração ainda
Procura na ilusão tua lembrança,
Anjo da vida passa nos meus sonhos
E meus lábios orvalha d’esperança!

Álvares de Azevedo

O cheiro do Ensino

Faz poucas horas que parou de chover, ainda consigo sentir o cheiro de terra molhada. Neste momento estou sentada e lendo em baixo de uma amoreira do meu jardim. Tudo parece fazer muito sentido.

O sol brilha tão intensamente, com toda gloria que ele merece o céu não tão azul quanto merece, mas tenho certeza de que esta noite estará muito estrelado. Os passarinhos estão felizes, cantam em harmonia, será que cantam para mim?

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As cigarras estão cantando em sinfonia na cerca viva, as formigas trabalham novamente eles estão invadindo minha toalha que está estendida no chão, e também na minha rasteirinha. As abelhinhas estão construindo uma nova colmeia.

Para esses animaizinhos apesar da chuva ajudar, me parece que também é uma catástrofe, mas eles começam tudo do inicio e felizes. Porque nós também não somos assim? A natureza tem muitas coisas a ensinar, temos de estar dispostos a aprender.

Agora com licença, vou brincar com a minha pequena que já está correndo pelo jardim com a bolinha na boca.

Está tudo acabado

Até ontem era feliz, hoje a tristeza me dominou. Perdi o que me valia mais, a vida acabou para mim. Nada mais faz sentido, estou-me sentido totalmente só.

Agora estou sem nada, queria aquilo novamente, quando queria me livrar não pensei nas consequências. Vejo que estou triste num mundo “vazio”…

…Queria apenas um desejo, voltar aquilo que tanto me deixava feliz. Quero de volta tudo o que perdi, quero a minha paixão de viver aqui, à meu lado.

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Esse texto quem escreveu foi minha irmã, postando pra incentivá-la a continuar a escrever. 

sem imaginação para um titulo…

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Estou sem inspiração, parece que nada mais faz sentido. Nada mais chama minha atenção.

Perdi o porquê da vida, nem livros nem café, nem mesmo o mais puro e verdadeiro verso de poesia ou o mais ardente amor me desperta curiosidade.

Nem os melhores filmes, nem os mais premiados fazem sentido.

Acho que essa semana eu perdi meu rumo, passei grande parte da vida fazendo algo que agora acabou… O que eu vou fazer???

Parece que não tenho mais necessidade de ter uma folha de papel e um lápis, o que está acontecendo?

Mergulhei no mais profundo tédio, e ainda não aprendi a sair dele.

Na beira do Precipício

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De sair e correr?

Vontade de chorar ou

Apenas ser feliz?

Vontade de cada dia viver ou

De somente morrer?

 

Pensar em que posso voar ou

Que apenas vou cair?

Pensar no próprio amor ou

Unicamente em ódio?

Pensar em toda paixão ou

Em toda a dor?

 

Sorrir para o céu ou

Para meu mar?

Sorrir para conquistas

Ou minhas dificuldades?

Sorrir para meus sonhos ou

Só para a razão?

 

Agora estou à beira do precipício,

A única coisa que realmente penso

É em antagonismo.