Peculiar

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… Sabe que o ultimo dia que trabalhei na livraria foi o mais estranho, porém o mais interessante que tive lá. Entrou uma mulher, ela parecia mais um furacão, ou que estava ligada no 220, ou até alguém em surto.

Ela corria de um lado para o outro, passando por corredores e sessões, pegando livros por cima de livros. Depois ela sentou no chão, na área de leitura, e abriu os livros em sua volta, ao todo 37 livros. Eu não aguentei fui falar com ela. Sabe que se eu fechar os olhos ainda lembro o que conversamos.

                                

-Moça precisa de ajuda?

-AH, não. Estou tentando ler.

-37 livros, de uma só vez? Cada um com um tema diferente?

-É.

-Mas, ai tem livros de matemática, direito, psicologia, poesia do século XVIII, tem até um ai sobre vinhos.

-Olha moço, se você está achando que eu não vou pagar, fique tranquilo, eu vou.

-Não- parei e olhei e então percebi- Você está bem? Acho que ficar aqui não vai ajudar em nada os seus problemas.

Ela riu desesperadamente e voltou a falar:

-Ai, ai… Sabe o que significa para mim todos estes livros? Significa a reflexão do mundo, um mundo onde ainda não me encontrei.

-Acho que ainda sim, você precisa de ajuda.

-Ajuda? Sou Poeta! Perturbada por natureza, mal compreendida, mas ainda sim considerada, como todos os outros, gênio para uns e idiota para outros. Não é fácil encontrar pessoas assim como eu.

-Moça, está espantando os clientes… Espera, tem livros seus por aqui?

Então ela sorriu, e me respondeu:

-Eu não sou louca, maluca ou qualquer outra variação desse tema, mas, tudo o que escrevi e escrevo só tem autorização de ser publicado após a minha morte. Ai, sim, irão dar valor. Rapazinho sente-se ai, vou lhe contar uma coisa.

-Não, vão me despedir, ai como faço sem trabalho?

-Você gosta de trabalhar com livros?

-Sim.

-Então amanha se for despedido te arrumo emprego.

-Vou confiar então.

-Sabe qual é a parte boa de não me encontrar no mundo? Vejo todos os lugares de fora, por isso trato todos eles de forma imparcial…

 

Ela falou, chorou, riu, e depois pagou os 37 livros. Deixou comigo um cartão, que eu deveria ligar caso fosse despedido e por sinal liguei.  Ela trabalhava em uma editora cujo pai era dono.

-Tá bom, mas você ainda fala com ela?

-Cara, você sabe quem é a mulher, já ouviu a historia antes, tenho mesmo que contar o final de novo?

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