Eu Também

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Faltava uma hora para o voo, ainda, não se viu problema em parar alguns quilômetros antes do aeroporto para buscar um café naquela cafeteria preferida. O dia estava frio, mas mesmo assim o sol ainda, mesmo que tímido, brilhava. O carro ela estacionou, não estava tão longe, saiu e se dirigiu ao tão necessitado café.

Entrou e nem percebeu que tinha sido notada na mesa do fundo, quase escondida. Enquanto esperava na fila pensava se ia fazer o pedido de sempre ou mudaria, na ponta do pé esticava-se ao Maximo para ver o cardápio na parede, afinal o senhor que estava na frente era tão grande que era quase impossível ver alguma coisa sem se esticar.

Hora de fazer o pedido

-Para que mudar? O mesmo sempre funcionou tão bem.

-Débito ou crédito?

-Perdão, é débito!

O Observador chegava cada vez mais perto, estava certo de que poderia se apresentar e que seriam felizes até o fim da vida. Mas ela não virou para trás seguiu direto até a porta e quase saindo despencou a chuva. Presa! Impossível sair, não havia capa ou guarda chuva.

-Maravilha! Agora eu chego atrasada e perco. Muito obrigada senhor sol! Enganada não é? E agora pode-me dizer como vou sair? Não dá pra viajar molhada, ou melhor, encharcada não é? Se ao menos tivesse uma nuvenzinha negra no céu eu tinha seguido meu caminho- reclamava baixinho, mas mesmo assim podia-se entender de forma clara.

-Dá licença?

-Pode passar.

-Não, é que não queria atrapalhar sua conversa com o sol.

-Pareço louca não é? Mas é que eu…

-Tem que chegar até algum lugar e a chuva não deixa. Por um acaso eu tenho aqui um guarda chuva, se me permitir posso acompanhá-la até seu carro ou um ponto de ônibus, ou seja lá qual for o seu destino.

-Quanto cavalheirismo, mas que eloquência…

Ele sorriu e novamente perguntou:

-Posso acompanhá-la?

-Muito bem, meu carro está a uns 700 metros daqui. Tenho que chegar rápido, agradeço a gentileza e peço desculpas pelo mau humor.

-Está perdoada. Madame?-Estendeu o braço para que ela se apoiasse como nos filmes abriu o guarda chuva e foram em direção ao carro.

-É uma caminhada pequena, mas podemos conversar não é?

-Claro.

E de repente pareceu que a caminha estendera-se, a conversa durou e parece que os passos eram menores que de formigas, mas mesmo formigas chegam ao seu destino.

-É esse- apontando- mais uma vez obrigada.

-Mais uma coisa e ficarei satisfeito. Aonde vai que não pode chegar atrasada?

-Pegar um voo. Trabalho. Vou ficar fora por seis semanas.

-Seis semanas? É muito tempo. Façamos o seguinte: Esse é meu telefone, quando voltar eu estarei esperando bem ali, na cafeteria. Com a sua escolha, terrível, de sempre em cima da mesa. E se chover, o guarda chuva estará a sua espera. Queria ter tido mais tempo para conversarmos.

Ela sorriu, entrou no carro, com o papelzinho do telefone na mão e escreveu no vidro embaçado:

“EU TAMBÉM”

Meu Bem

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Meu bem, você

Pode dançar na chuva,

Brilhar entre estrelas,

Flutuar entre nuvens,

Caminhar descalço entre folhas secas,

Saltar entre pedras,

Cantar pelas arvores,

Voar no céu azul,

Escalar as montanhas,

Explorar vales,

Nadar em seus sonhos,

Chorar mesmo que sem lágrimas,

Alegrar o dia,

Apanhar flores,

Viajar entre seus Mundos,

Gargalhar entre pássaros,

Amar entre os homens,

Estudar sobre conhecimentos,

Saciar tuas curiosidades,

Perguntar, mesmo que não obtenha respostas.

Meu bem, só não pode uma coisa:

Viver de enganar a si e a outros.

Presa ao Passado

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Ela tinha um péssimo hábito que atrapalhava a vida. Vivia no passado, tudo o que importava já não era mais. Ela sempre queria voltar o passo que já estava dado. Viver de passado sempre dói, e dói muito.

O numero um havia prometido viagens, viagens para lugares românticos, países variados, mas não havia prometido fidelidade. O numero dois queria prometer, mas nada fazia diferença, ela só lembrava-se do numero um, das promessas que nem foram ao fim. Quando o numero três chegou ela só consegui lembra que dispensara o numero dois, e que queria aquelas promessas. Logo que o numero três se fora o numero quatro fez e desfez pra conquista-la, mas as promessas do numero três agora pareciam encantadoras.

Não largava o passado, parecia uma bola de ferro presa ao pé. Quando o que seria definitivo chegou e prometeu a única coisa que realmente valia, que era o amor, ela o deixou escapar, queria tudo o que já fora prometido antes. Nunca conseguiu livrar-se do passado. Será que já não era hora de pisar no futuro?

Amores antigos servem para nos machucar, prender, e atrasar a vida.

You Give Me Something – James Morrison

Deixo a tradução…

Você só quer ficar comigo de manhã
Você só me abraça quando eu durmo
Eu fui feito para caminhar sobre a água
Mas agora eu fui fundo demais
Para cada pedaço meu que te quer
Há um outro que não

Porque você me dá algo
Que me faz sentir medo
Isso poderia não ser nada
Mas estou disposto a tentar
Por favor, me dê algum sinal
Pra que algum dia eu possa conhecer meu coração

Você esperou durante horas
Só para ficar um pouco sozinha comigo
E eu posso dizer que nunca comprei flores para você
Não sei o que elas significam
Nunca pensei que eu amaria alguém
Esse era o sonho de outra pessoa

Porque você me dá algo
Que me faz sentir medo
Isso poderia não ser nada
Mas estou disposto a tentar
Por favor, me dê algum sinal
Pra que algum dia eu possa chamar você do meu coração
Mas talvez seja um segundo tarde demais
E as palavras que eu nunca consegui dizer
Sairão de qualquer jeito

Porque você me dá algo
Que me faz sentir medo
Isso poderia não ser nada
Mas eu estou disposto a tentar
Por favor, me dê algum sinal
Porque você me faz sentir alguma coisa
Que me faz sentir medo
Isso poderia não ser nada
Mas eu estou disposto a tentar
Por favor, me dê algum sinal
Pra que algum dia eu conheça meu coração
Conheça meu coração, conheça meu coração, conheça meu coração.

Uma carta ao anonimato

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Você não precisa entender o que estou escrevendo. Não precisa perguntar: Por quê? O que? Como? Só precisa saber que escrevo sobre o que sinto em relação a você.

Por exemplo, hoje, escrevo sobre o modo como você me irrita, mas me faz sentir nas nuvens. Sobre como o cheiro do seu perfume me levou a devaneios.

Também é sobre porque eu não sei o porquê de ter começado a gostar cada vez mais de você. Sobre o fato de que você fala, e meu coração dispara também sobre cada vez que não fala, e ele se aflige.

Você me faz bem, e eu sei que pode a qualquer momento me fazer mal. Estou em suas mãos. Também não se esqueça de que isso é sobre eu ficar desenhando coraçõezinhos no meu cobertor felpudo, e que também minha calça azul marinho tem uma marca de caneta preta, seu nome.

Isso não é só sobre o porquê de eu te amar, afinal nem poderia definir o amar, isso é só sobre você, talvez respondendo o porquê de sonhar quase todas as noites com você, e pensar em você toda vez que fecho meus olhos, e como fico ansiosa para ter nem que seja uma noticia sua.

Isso é para você, essa carta toda é para você. Então por favor, não tente entender, só tente sentir. Amor não é razão é sentimento.

Ignoto

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Por um caminho tortuoso, cheio de pedregulhos, extremamente escuro e sem fim, eu caminho e continuo a caminhar.

Uma floresta sem arvores, sem animais é a paisagem que eu não vejo, mas sei que está lá. São lágrimas que regam o chão, por ser tão salobro nada pode crescer. Quando pedrinhas são regadas pelas lagrimas ela brilham e de forma tão efêmera, breve que quase não se vê.

Qualquer um que entrar neste caminho tenha certeza de que esfacelará. Tudo aqui irá apagar o brilho. Fuja destes caminhos corra para longe. Quem aqui caminha sofre, perece, tudo é melancólico e não for é oprimido.

Se já chegou, meu aviso tarde veio. Então só lhe resta caminhar para fora do torvo. A caminhada será tortura, o sol não se verá, ande depressa. Não espere a saída, ela não virá, procure-a e irá obter.

 

(Escrevi esse texto em forma de metáfora para mostrar o que é alguém que se nega a buscar conhecimento)