Via Láctea

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

 

Olavo Bilac

Você é como a música

Você é como…

Como eu posso te descrever?

Ah! Já sei…

Sabe aquela música chatinha,

Enjoadinha?

Aquela música que você escuta e…

Ai você diz:

“Nunca mais!”

Só que você diz isso cantarolando

Cantarolando a música!

Essa música, você acaba cantando dia e noite.

Essa música, você acaba gostando.

Gosta não porque gostava.

Gosta porque nos últimos dias ela esteve na sua cabeça.

Gosta porque nos últimos dias ela foi sua companheira.

Gosta porque ela começa a fazer sentido.

Gosta porque antes não gostava.

Você é como essa música…

Gosto porque antes não gostava.

Poeminha Amoroso

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu…
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu…
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo…
eu te amo, perdoa-me, eu te amo…
“Poeminha Amoroso”

 

Cora Coralina

Nada

Tum, Tum, Tum, bate os dedos na mesa…

Tum, Tum, Tum, bate o lápis na folha…

Tum, Tum, Tum, bate as palavras que não querem sair.

 

Antes fluíam, com facilidade.

Hoje, parece que nem sei o português.

Hoje, é como se abrisse os olhos, e não vesse.

 

Tum, Tum, Tum, mas nada sai…

Erros

O erro foi achar

 Achar que tudo ia Continuar.

O erro foi achar

Achar que a vida ia sempre aqui ficar.

 

O erro foi Programar

Programar algo que foge como o ar.

O erro foi programar

Programar o tempo que não se podia tocar.

 

O erro foi pensar

Pensar que nada ia mudar.

O erro foi pensar

Pensar que eu ia viver para poetar.

Meus sentimentos

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Cuido bem dos meus sentimentos

Para que não tropecem em pedras de fingimento.

Cuido bem dos meus sentimentos

Para que não caiam em buracos de descaso.

Cuido bem dos meus sentimentos

Para que não se arranhem em espinhos de maldade.

Cuido bem dos meus sentimentos

Para que não sejam afogados em amargura.

Cuido bem dos meus sentimentos

Para que não sejam golpeados por laminas de sofrimento.

Cuido bem dos meus sentimentos

Para que não sejam sepultados por desgosto.

Sentada, ao lado da janela.

Naquele momento já não sabia quem era,

A lua, por anos amada,

Hoje era desprezada e odiada,

Mas ainda sim sua companheira naquela noite.

A confusão pairava em sal mente.

Como podia ter acontecido?

Como ela podia ter permitido?

A paz perdera.

E a insônia, revivera.

Quanta ousadia,

A porta bater, não poderia?

Chegou sem pedir licença,

E agora a agonia que entrou era imensa. 

 

 

Poema inacabado, mas acredito que ele nunca terá um fim. Já faz muito tempo que o comecei e perdi o foco…

Strange In Perfect World

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A única colorida, dentre o branco e preto?

Ou a única branca e preta, dentre o colorido?

A única pessoa que caminha para a direita, enquanto caminham para a esquerda?

Ou a única pessoa que caminha para a esquerda, enquanto caminham para a direita?

A única pessoa que pula enquanto os outros caem?

Ou a única pessoa que cai enquanto os outros pulam?

A única pessoa que fala, quando outros cantam?

Ou a única pessoa que canta enquanto os outros falam?

A única pessoa que vê a verdade, no meio daqueles que veem a mentira?

Ou a única que vê a mentira, no meio daqueles que veem a verdade?

A única pessoa que desenha enquanto todos os outros escrevem?

Ou a única que escreve enquanto todos os outros desenham?

O único estranho em um mundo perfeito?

Ou o único perfeito em um mundo estranho?

Caminho no trilho do trem

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Caminho nos trilhos do trem

Sem nenhuma ansiedade com o que vem

Sem preocupação com o fim

Penso em caminhar, em estar dentro de mim.

 

O trilho eu quero ladrilhar,

Dos trilhos do meu trem eu quero zelar.

O trem, em si, é superfulo,

E o caminho é revolto.

 

Não é que eu queira me retratar,

É só que eu não gostaria de revirar.

Nos trilho encontro quietude.

 

Surpreendente, mas neles encontro virtude,

Por isso caminho, prosseguirei,

“Caminho no trilho do trem”, essa é a minha lei.