Conselho à menina

Guarda-te, Menina

Espera o verdadeiro amor

Guarda-te, Menina

E fuja do efêmero sonhador.

Guarda-te, Menina

Daquilo que tenta te expor.

Guarda-te, Menina

Do engano “dispor”

Guarda-te, Menina

Do falso protetor.

Guarda-te, Menina

Do desleal prosador.

Guarda-te, Menina

Também de tudo lhe propor.

Guarda-te, Menina

Do Romeu enganador.

Guarda-te, Menina

De toda perversa dor.

Guarda-te, Menina

Do vão promissor.

Guarda-te, Menina

Do louco raptor.

Guarda-te, Menina

Do coração esculpido de rancor.

Guarda-te, Menina

Do fingido salvador.

Guarda-te, Menina

Do simpático conquistador.

Aconselho-te, Menina

Não se iluda, espere o verdadeiro amor.

Anúncios

Um direito de amor.

Imagem

Ninguém diz que será fácil.

Ninguém disse que haverá um terreno hostil.

Todos só pensam em juras de amor.

Todos esquecem que amar também é direito de um sofredor.

Eu sei que o amor é lindo,

Mas sempre me lembro de que nem sempre me receberá sorrindo.

 Talvez valha apena.

Afinal a chance não é pequena.

Não sei se contos de fadas existem,

Mas sempre existem amores que resistem.

Sei bem que não sou suporte de perfeição,

Mas você doou seu coração.

Sei que você fará coisas que eu odeio,

Mas eu não tenho nenhum receio.

Eu espero que seja eterno,

E juntos o tornaremos imortalizado.

Lágrimas da Vida

Hoje eu queria compartilhar um poema de um dos meus escritores preferidos:

Se tu souberas que lembrança amarga
Que pensamento desflorou meus dias,
Oh! tu não creras meu sorrir leviano,
Nem minhas insensatas alegrias!
 

Quando junto de ti eu sinto, às vezes,
Em doce enleio desvairar-me o siso,
Nos meus olhos incertos sinto lágrimas…
Mas da lágrima em troco eu temo um riso!
 

O meu peito era um templo – ergui nas aras
Tua imagem que a sombra perfumava…
Mas ah! emurcheceste as minhas flores!
Apagaste a ilusão que o aviventava!
 

E por te amar, por teu desdém, perdi-me…
Tresnoitei-me nas orgias macilento,
Brindei blasfemo ao vício e da minh’alma
Tentei me suicidar no esquecimento!
 

Como um corcel abate-se na sombra, 
A minha crença agoniza e desespera…
O peito e lira se estalaram juntos…
E morro sem ter tido primavera!
 

Como o perfume de uma flor aberta
Da manhã entre as nuvens se mistura,
A minh’alma podia em teus amores 
Como um anjo de Deus sonhar ventura!
 

Não peço o teu amor… eu quero apenas
A flor que beijas para a ter no seio…
E teus cabelos respirar medroso…
E a teus joelhos suspirar d’enleio!
 

E quando eu durmo… e o coração ainda
Procura na ilusão tua lembrança,
Anjo da vida passa nos meus sonhos
E meus lábios orvalha d’esperança!

Álvares de Azevedo

Em meio a Minha Chuva

 

Era de manhã,

Em seu lugar no travesseiro,

Era uma carta que o ocupava.

“não posso mais ficar,

Tentei aprender a te amar.”

Ora ninguém aprende,

Ou ama, ou não ama.

Na terra não havia pegadas.

Nos campos não havia rastros.

O dia estava horrível,

Tanto dentro como fora de mim.

O refugio era o guarda-chuva vermelho,

Antes nosso. A partir daquela manha, meu.

Parecia a melhor alternativa

Naquele dia frio.

Primeiro pingo de chuva

Minha raiva aumentara,

Apagaria teus rastros…

Décimo pingo de chuva

Meu conforto chegara.

Em meio a relâmpagos

Em meio aos campos de lavanda,

Encontrar-te já não era mais preciso

Sem guarda-chuva

A água lavara minha angustia.

Em meio a milhares de pingos de chuva

Dancei

Te encontrar já não era importante

Eu tinha a chuva,

Tinha a minha vida

E a lavei do seu “amor”.Imagem