Deixar tudo claro

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Oi, tudo bem? Sei que já faz um tempo, mas acho que algumas coisas ficaram mal entendidas, mal resolvidas. Então é melhor deixar tudo bem claro.

Sabe aquele dia? O das flores? O problema não era as flores, ou melhor era sim, deixa eu explicar. Não é que eu não goste de flores, é que eu apenas prefiro que elas fiquem lá, no lugar delas, que a vida dela não seja tirada só para satisfazer um luxo. Sabe se a vontade de presentear com flores for muito grande, posso te dar uma solução, traga em um vaso com terra, assim é só colocar elas ali no jardim da frente. Você vai descobrir que assim é muito melhor, a coitada da flor vive mais, não murcha. E ai eu vou lembrar sempre que aquele pedacinho do jardim é seu.

Sabe… Eu sempre vou tentar me lembrar de que esquecer  coisas de vez em quando é um luxo de ser humano, e já que o somos, não posso exigir mais. Se acaso se esquecer de alguma data, alguma coisa, eu não vou pirar, afinal também esqueço, e já que não vou pirar não encare isso de uma forma ruim, não é um teste, sou só eu… Não pirando.

Não vou exigir coisas como “Qual são meus dez filmes favoritos?”, “Minha cor favorita?”, “A lista dos meus livros preferidos?”, já que nem eu poderia responder essas perguntas, talvez pudesse responder a terceira. De fato, se todo esse tempo convivendo comigo, não descobri essas respostas, por que você deveria saber com tão pouco tempo?

Essa coisa chamada tempo serve para isso, mas mesmo assim ainda existem pessoas que ainda não responderam a pergunta “Quem sou eu?”.

Saiba que não gosto de trivialidades, não preciso de declarações cliches em redes sociais, e que odeio ser deixada ou ficar esperando…

Acho que pra finalizar não faça nada por que acha que tem que fazer, faça porque quer fazer, assim irá me surpreender. E não precisa fazer algo grande, eu li alguma vez em algum lugar que “A felicidade está nas pequenas coisas da vida”, eu acredito.

 Esteja certo, se estiver faltando algo eu escreverei novamente… Por hora é isso…

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SE EU DE TI ME ESQUECER

Se eu de ti me esquecer, nem mais um riso
Possão meus tristes labios desprender;
Para sempre absondone-me a esperança,
         Se eu de ti me esquecer.

Neguem-me auras o ar, neguem-me os bosques
Sombra amiga, em que possa adormecer,
Não tenhão para mim murmúrio as agoas,
         Se eu de ti me esquecer.

Em minhas mãos em aspide se mude
No mesmo instante a flôr, que eu for colher;
Em fel a fonte, a que chegar meus labios,
         Se eu de ti me esquecer.

Em meu peregrinar jamais encontre
Pobre albergue, onde possa me acolher;
De plaga em plaga, foragido vague,
         Se eu de ti me esquecer.

Qual sombra de prescito entre os viventes
Passe os miseros dias a gemer,
E em miseros dias a gemer,
E em meus martyrios me escarneça o mundo,
         Se eu de ti me esquecer.

Se eu de ti me esquecer, nem  uma lagrima
Caia sobre o sepulchro, em que eu jazer;
Por todos esquecido viva e morra,
         Se eu de ti me esquecer.

 

Bernardo Guimarães